Não deixes que te ultrapasse, que te inferiorize, que te torne menor.

Não deixes que o dia passe sem a mais pequena amostra de um gesto sentido. Não deixes que exista sem que se saiba. Não deixes que o íntimo passe a público, nem que o público transforme em nada, em ausência total.

Não deixes que a luz da aurora fique simplesmente lá fora, nem que o raiar da manhã não incida directamente na tua cara, só para que saibas que o dia já começou e é novo e encadeia e revela-se e regenera e acontece.

Não deixes que sejas somente tu. Não deixes que a manhã (ou o fim do dia) seja só mais um resquício daquilo que teimas em não ser, daquilo que sonhas e não vês.

Não deixes de ser constantemente fiel ao que almejas, sem que isso te impeça de mudar, de aprimorar.

Não deixes que o silêncio te deixe ileso nem que a incontrolável ânsia de encontrar te faça parar de procurar.

Não deixes que a perguiça altere o teu sentido e a tua verdade.

Não deixes de ser, que eu serei contigo.

 

 

 

Inspiração do dia:

“Muitas vezes as pessoas são pouco razoáveis, irracionais e egocêntricas. 

     Perdoa-as MESMO ASSIM. 

Se fores simpático, as pessoas podem acusar-te de segundas intenções egoístas. 

     Sê simpático MESMO ASSIM.

Se conseguires realizar os teus projectos, ganharás alguns falsos amigos e alguns verdadeiros inimigos. 

     Tenta realizá-los MESMO ASSIM.

Se fores honesto e sincero, poderás ser enganado. 

     Sê honesto e sincero MESMO ASSIM.

Aquilo que levaste anos a construir, outros podem destruir de um dia para o outro. 

     Constrói MESMO ASSIM.

Se encontrares a serenidade e a felicidade, algumas pessoas poderão ficar com inveja. 

     Sê feliz MESMO ASSIM.

O bem que hoje fizeres, será muitas vezes esquecido. 

     Faz o bem MESMO ASSIM.

Dá o teu melhor e nunca será o suficiente. 

     Dá o teu melhor MESMO ASSIM.

 

 

No final de contas, é tudo entre ti e Deus.

Nunca foi entre ti e eles.

(atribuído a) Madre Teresa de Calcutá

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“Talvez o mundo exterior tenha pressa demais”

Chora, dramatiza, mas recomeça. Aproveita e acredita. E sê feliz.

O mais importante: “Não deixes que isso seja maior do que o resto”.

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Segurança

O problema é acreditarmos cegamente que o amanhã está assegurado. A questão é que, sem nos apercebermos, enleados na teia do quotidiano asfixiante, esta segurança é meramente fictícia.

E a queda pode não ser suave.

Ainda assim, o amanhã ainda teremos.

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Inevitabilidade

É inevitável que o mundo apreenda algumas coisas. Mas as mais bonitas acontecem na intimidade, do lado de dentro, onde ninguém sabe, naquilo que é meu e teu, só.

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Ultrapassa a efemeridade de não conseguires ainda

Um dia, alguém me disse:

“Sonha. Sente. Sorri. Ultrapassa a efemeridade de não conseguires ainda: ousa! Ousa, que eu adoro-te, e tem uma boa noite.”

Onde estás?

Há dias em que as palavras são demais e desnecessárias. Fiquemo-nos pela música e pela esperança (não) reprimida.

 

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Todas as vezes em que ela fechava os olhos

Ela sonhava com o paraíso, cada vez que fechava os olhos.

E, só assim, era eternamente a rapariguinha inocente que desconhecia a malícia, a injustiça e a dor. E sonhava, sonhava. Sonhava até mais não, porque o mundo pode não ser um lugar assim tão desprezível. Pode até ser a casa que nos acolhe e protege das desventuras.

E nos sonhos, ela era outra. Era o que não foi, o que não fez nem alcançou. Sonhava a cores ou a sépia, com tudo aquilo que nunca fez, por acaso da vida ou esperança vã, por ignorância ou teimosia.

Ela sonhava com o paraíso e, por muitas vezes, o sonho impedia-a de agarrar na vontade e arrastá-la pela rua fora. O paraíso era outra coisa qualquer, que não o ímpeto aprisionado com receio de arriscar. E não era senão quando ela fechava os olhos. E sonhava com o paraíso.

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Só de ouvir o vento passar

O Sol nasce, o Sol põe-se e, de facto, não há nada que consiga convencer-me de que isto não é perfeito. Não encontro razão aparente para a solidão, para o desassossego e para a morte intelectual. Nada me diz que não é como deveria ser.

E cresço nesta controversa realidade do falar ou dizer. Porque falar sem dizer, é como que estar vivo sem viver. Ainda assim, nada aponta para que não seja correcto eu escrever sem dizer, ou escrever e não fazer.

O vento nunca deixou de me falar e seja, talvez, por isso, que cresço nesta teia, nesta rede, que me impele para o inalcançável, porque, aqui, nada é impossível, aqui, todos voam, todos podem ser invisíveis e viajar no tempo. Aqui, neste esconderijo, qualquer um pode falar todas as línguas e ser entendido. Isto porque o vento nos diz que não há nada, nada, que não seja exactamente como deveria ser. E não há nada, nada de nada, que seja mais perfeito do que isto aqui.

E quando o vento nos fala, que é quase quase sempre, nós paramos, só para o ouvir (sentir). Porque não há ninguém, ninguém, que não acredite no vento. E se alguém não acreditar, não sabe que o vento não mente, não esconde, nem engana, porque é ele que nos fala no silêncio e nos diz que não há nada, nada de nada, que não seja amor.

“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”, Fernando Pessoa.

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